21.5.08
ARTE CULINÁRIA NA VIDA FAMILIAR
Por Paulo Cesar Gonçalves Araújo
Não costumamos incluir a arte culinária entre as artes clássicas, nem damos a ela uma posição de dignidade entre as atividades humanas. No entanto, alimentar-se é a mais vital e antiga das atividades dos animais e dos homens, a culinária a mais essencial e antiga de todas as artes. Através dela os homens, em todas as culturas e em todos os tempos, prepararam os elementos naturais para serem consumidos com prazer e em grupo. Assim o mundo se faz homem e o homem, humanidade. A arte culinária encerra segredos e muitas curiosidades. Ela é generosa e deseja ser destruída pois é na sua destruição que ganha sentido. Os objetos desta arte não são feitos para perdurar, para serem guardados ou exibidos nas paredes. Eles devem ser consumidos imediatamente e seu destino é se transformar no corpo do outro e desaparecer. Seu único museu é a nossa memória. Seu espaço principal é a família. Lar vem do latim lare que é o lugar onde se acende o fogo, a lareira, como sugerindo que a cozinha e a família tiveram a mesma origem. O fogão é o fogo que vem de focus , o foco central. Ceia vem de coena, a cena principal. Comer é sempre coletivo pois vem de cum edere , alimentar-se com alguém. Sabor tem origem semelhante à de saber, e sábio (sapidus) é aquele que tem sabor, oposto a insípidus. A Arte Culinária está presente no dia a dia mais comum de todas as famílias, motivo de orgulho dos pais e regozijo dos filhos. As refeições, servidas com arte e comidas com prazer, alimentam a alma da família. Está presente nos dias especiais, nos aniversários e casamentos, nos rituais religiosos de todos os tipos. Comemos e bebemos para comemorar, para partilhar a colheita e a fé, para festejar a vida. Diferente de outras artes, ela convoca simultaneamente a visão, o olfato, o paladar e o tato.
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