Por Ilana
Modo de Usar
Evitar o desperdício de alimentos é uma das melhores formas de organizar a cozinha e ainda manter uma alimentação equilibrada. Aprenda a comprar, armazenar e aproveitar o que de melhor cada ingrediente tem a oferecer.
por Priscilla Santos, Revista Vida Simples
Sabe aquela velha história de que é melhor prevenir que remediar? Quem diria, vale também para a cozinha. Para encurtar a história: planejar as compras é o melhor antídoto contra o desperdício. E ainda por cima é uma mão na roda para a organização da cozinha e dos gastos em alimentação. Tome sua dose de programação acompanhada de uma pitada de cuidados básicos com o armazenamento dos ingredientes e veja que beleza é o efeito. Melhor que isso, só as receitas saudáveis e saborosas que você pode fazer com partes que antes nem aproveitava dos alimentos. É tiro e queda para quem quer esbanjar saúde. Ficou difícil de entender? Espere aí que vamos explicar tintim por tintim.
Planeje as compras
É como aquele segredinho que toda cozinheira de mão cheia guarda a sete chaves, sabe? Mas, para nossa sorte, este é publicável. Então vamos lá. Primeiro, faça um levantamento do consumo de alimentos e dos gastos semanais e mensais. Pense: quantas pessoas há na casa? De quantas refeições cada uma participa? Então crie o hábito de montar cardápios diários. Divida uma folha de papel pelos dias da semana e preencha cada um com os cardápios de todas as refeições. No verso, faça a lista dos ingredientes de que precisa – assim, quando for ao supermercado saberá exatamente o que e quanto comprar.
Alimentos de época
Para elaborar os cardápios, leve em consideração que grande parte dos alimentos (principalmente aqueles vindos da terra) tem sua época mais favorável: a safra. É só lembrar de nossos antepassados. Como é que eles decidiam o menu do dia? Iam até a horta no quintal e viam quais ingredientes estavam no ponto de ir para a panela, certo? Pois então faça o mesmo. Claro, de acordo com sua realidade. Provavelmente, sua horta é o sacolão, a feira livre ou o supermercado mais próximo. Não importa, a lógica segue intacta: escolha os alimentos da época, que tendem a ser mais fresquinhos e vistosos.
Não ao desperdício
“Pense na preferência dos integrantes da família”, diz Solange Medeiros, do Movimento das Donas-de-casa de Minas Gerais. Isso vai ajudá-lo a resistir àquela banana-prata seduzindo você no supermercado. Se você nem gosta de banana-prata, para que levar? Só porque ela estava linda? Melhor dizer não àquela belezura na hora para não virar lixo depois. E aqueles morangos na oferta, então? Ai, ai, ai, dá para levar 1 quilo pelo valor de meio. E fazer o que com isso tudo se é só uma pessoa que come morango em casa? A não ser que você congele ou faça conservas, tal qual os pequenos produtores que só comem o que plantam e têm que se virar, já que nem tudo dá o ano inteiro.
Estocar para quê?
Quanto à freqüência, se você puder comprar alimentos não-perecíveis (cereais, enlatados) a cada quinzena ou mês e ir passando na vendinha da esquina quase diariamente para pegar as frutas, verduras e carnes frescas – isso é o mundo dos sonhos. Mas, como nem sempre a realidade corresponde a essa aspiração, tente comprar frutas, legumes e verduras pelo menos uma vez por semana, assim como queijos e laticínios. Uma boa dica da nutricionista Simone Valvassori, da Associação Paulista de Nutrição (Apan), é comprar frutas maduras para consumo imediato e ainda não maduras para comer dentro de alguns dias.
Cuidados fundamentais
Para evitar o desperdício, mais duas pitadas de sabedoria do lar: antes de fazer compras, anote não só os produtos que estão faltando, mas também o que há na despensa, para você não correr o risco de ficar na dúvida e levar algo só por garantia. Não se esqueça de checar a data de validade dos produtos nas gôndolas do supermercado, em especial se for oferta, pois periga estar prestes a vencer. Por fim, antes de sair de casa, verifique a quantas anda seu estômago. Sim, isso mesmo. Ir às compras com fome é uma cilada, pois a chance de você levar alimentos desnecessários é enorme. Já ouviu falar em olho maior que a barriga?
Como limpar vegetais
As frutas, verduras e legumes devem ser limpos antes de serem guardados. Ou seja, logo que você chegar das compras. Lave-os em água corrente um a um, folha por folha, para tirar a sujeira, restos de terra ou bichinhos que, se não forem eliminados, podem acabar contaminando os alimentos ao redor. (Imagina só aquele monte de micróbio nadando de braçada na calda do pudim de leite, que lástima.) O que for consumido cru deve ser desinfetado numa solução de uma colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária) para cada litro de água. Deixe por 15 minutos e depois enxágüe em água corrente.
Como armazená-los
As hortaliças precisam ser secas antes de guardadas para que durem mais tempo. Para isso há o velho método de chacoalhar e deixar tomando um ar numa superfície limpa. Mas você pode usar um secador de verduras, uma centrífuga encontrada em lojas de utensílios para cozinha. Depois, coloque as hortaliças numa vasilha tampada ou retorne-a ao saquinho do supermercado, desde que esteja seco, e ponha na geladeira.Nas feiras livres, os alimentos costumam ser embalados num saco plástico colorido, que não é adequado para guardar o ingrediente na geladeira. “Devido à umidade, a tinta pode soltar e ir para os alimentos”, afirma Simone Valvassori.
Como guardar os secos
Os ingredientes secos, como cereais, açúcar, sal e café, devem ficar em recipientes fechados, em locais limpos, arejados, longe dos produtos de limpeza e da umidade. Você pode dividir o armário assim: biscoitos, chocolates e guloseimas na prateleira de cima,em especial se houver criança em casa, para controlar um pouco o consumo. No meio, grãos como arroz e feijão. Na parte de baixo, os enlatados.Bote os produtos que vencem antes na frente, para consumi-los primeiro. Para biscoitos e pães abertos, use um pote com tampa ou um pregador para vedar a embalagem. Mas não aquele que está segurando o cuecão no varal. No mercado, existem pregadores específicos para alimentos.
Aproveite (quase) tudo
Folhas, talos e cascas são ricos em vitaminas, ferro, potássio e outros nutrientes – muitas vezes em quantidades bem maiores que na própria polpa ou folha. Então aproveite também essas partes dos alimentos. Para começar, dê um pulinho no sacolão ou na feira livre, pois será mais fácil encontrar hortaliças, legumes e frutas com talos e folhas, se comparado ao supermercado. Na hora do uso, siga a lógica do mais ao menos perecível. Consuma primeiro a folha, depois a polpa e então o talo, no caso dos vegetais. Se você puder aproveitar as cascas e talos imediatamente, ótimo. Senão, guarde-os na geladeira ou congele até que junte uma quantidade suficiente para uma receita completa.
Folhas
Às vezes, estamos tão condicionados a usar certas partes dos alimentos que nem percebemos coisas óbvias. Por exemplo: você já havia se dado conta de que a couve- flor é um tipo de couve? Pois é. Couve é o nome vulgar da espécie Brassica oleracea, a que pertencem couve-flor, brócolis, repolho, nabo e couve-manteiga (a nossa velha conhecida), entre outras. Pois então, que tal comprar a couve-flor ainda com a folha e usá-la para a salada? Quem sabe assim você até dispensa a couve- manteiga naquele dia? O mesmo vale para diversos legumes, como a cenoura, a beterraba e o rabanete. Avise ao feirante para não tirar a rama e encha o prato.